Eu passarinho...

"Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho!" Mário Quintana

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Ato XV: A vida não é um espetáculo de duas horas onde subentende-se um final feliz, mas não me importo

Note minha claustrofobia, não gosto de me misturar a multidão, tenho medo do modo insano que projetam suas emoções, estão desesperados demais para reconhecer qualquer sentimento que os circundam, todos viraram maniacos espreitando o amor em cada beco que percorrem, ridicularizam algo sublime e riram dos que têm esperança, amordaçaram os sonhadores, oprimiram os corajosos. Eu assisto novela, mas vivo cinema. Gosto das moças produzidas e dos rapazes tendo que ser cavalheiro, gosto dos improvisos assustados e dos beijos. Vejo as paredes cinzas e um mar de sorrisos distribuídos, sinto tocar a brisa de um ar puro e recebo as mensagens dos ventos ao zunir por meus ouvidos. Sinto vontade de fechar os olhos em minha bicicleta sem ninguém pra me atrapalhar, como fazem nos filmes. Brincar de bem-me-quer-mal-me-quer. Cair nas maldades de alguém má que só faz o seu papel, por trás das cortinas é minha confidencia viva. Queria mesmo viver um amor desses onde amam-se os animais, choram tuas idas e os colocam para sentar-se junto e dividir a família. Ver os postes de luzes baixas das praças e tomar um sorvete de morango sem alguém pra ter que rir caso caia sobre minhas vestes. Fecho os olhos e danço ao caminho de casa, faço o que quero. Desapareço sem me preocupar com quem se preocupa, me desnudo para qualquer rapaz que aparece na rua e o encontro constantemente nas locadoras e nos armazéns da cidade. Noutro dia vi o coelho que induziu Alice para o país das maravilhas, já tomei café com capitão Jack e me deitei com Brigitte Bardot. Traguei no cigarro da Monroe, a beijei e cuspi em seguida, como nos filmes. Roubei pulseiras baratas de uma loja grande, quase fui pega, mas consegui correr e despistar os policiais. Pintei Vanilla Sky a lá Monet. Comprei um piano para ficar dedilhando do-re-mi-fa-sol-la-si-do.  Vivo da melhor maneira, nas minhas asneiras, sem me preocupar com o horário do fim do espetáculo.

Nathália RizzoR. Gracia.

“Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos”

-Tempo Perdido, Legião Urbana  

as palavras me moldam.
é triste viver subjugado.

Ai, Baianinha!

Se as flores me avisam que são chegadas tuas cores

Não hesito em lhes escutar, e corro para o jardim.
A lua silencia, já no fim da madrugada
Irradiando luz, para iluminar teus passos
E ouvir meu riso, menininha.
Agora a noite se esconde, á te esperar
Que as estrelas te aguardam, para junto delas, brilhar…

Anfiguri

Perdoa a minha falta de jeito, a minha ânsia desesperada pelo amanhã, as minhas dores de ser e de não ser. Se não me entendes, peço que apenas me guarde. Nas entrelinhas, nos vazios da imensidão que és. Na constelação estelar da qual faz parte. Me faz estrela, supernova, e deixe-me explodir. Morrer feito pó estelar e dar origem a um novo mundo. Só meu. Nas minhas órbitas planetárias. No meu silencioso “Big-Bang”. Deixa eu recriar o sistema solar, e me translocar de mim.  Só não quero me perder, não quero ser sugada pelo buraco negro que me assola. Então, pegue em minha mão e lace seu coração ao meu, alinhe-se a mim.

Às vezes sou sol, outrora lua. Mas continuo a mesma. Em todas as minhas fases, de todos os ângulos, mesmo com todas as minhas crateras.

15/10/13

Ela estava tão profundamente entranhada em minha consciência que, no primeiro ano na escola, eu tinha a impressão de que todas as professoras eram minha mãe disfarçada. Assim que tocava o sinal ao fim das aulas, eu voltava correndo para casa, na esperança de chegar ao apartamento em que morávamos antes que ela tivesse tempo de se transformar. Invariavelmente ela já estava na cozinha quando eu chegava, preparando leite com biscoitos para mim. No entanto, em vez de me livrar dessas ilusões, essa proeza só fazia crescer minha admiração pelos poderes dela.

O Complexo de Portnoy
(Philip Roth)

Sangue do Olimpo comprado *-*

“A existência era não apenas absurda, era simplesmente trabalho pesado. Pense em quantas vezes a gente veste as roupas de baixo em toda a vida. Era surpreendente, era repugnante, era estúpido.”

-BUKOWSKI, Charles. Pulp.