Eu sou
o efeito colateral
do caos, dado o caos
do mundo atual.
Anedotas de Brain.   
quando nada
mais sobra.
e toda mente se
esvazia.
a gente cheira
a saudade.
e a vida cheira
a poesia.
— glossariando  
se alguém me tocar agora, eu inflamo. tô sensível. sentido. sentindo. morrendo em vida, mentindo. misturando bossa nova e rock’n’roll. tratando de ser água, vento, sol. pão de carne com gengibre e limão. tô plantando. colhendo. trinta vezes multidão. amando desconhecidos na manifestação. sonhei com um par de olhos vermelhos. inventei um caminho. baguncei o cabelo. dormi jogada no sofá da sala. minha vida é um vício e o hospício dos olhos alheios ainda me mata e a loucura das bocas que eu beijo ainda me salva. nossos corpos são selvas. nossa natureza é a farsa.
moscou, 1821 

Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Me banho em impotência. Minha existência, oceano passivo que me rodeia, finaliza-se em ondas que me afogam e me remoem; eu, que há pouco me julgava pedra, descubro-me areia. Construo-me e desconstroem-me. Moldo-me e desmoldam-me. Tetris bucólico em que não me encaixo e não me encaixam. Não tento me encaixar, não sentem minha falta.

3 minutos

Te darei mais que 3 minutos.
Mais que imagens
mais que vontade..
te darei pele
toque…
carne.
Me darei pra ti
por algumas horas…
alguns dias
e você vai ver
como aqueles 3 minutos
por uma imagem
era muito pouco.

K.S