Eu passarinho...

"Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho!" Mário Quintana

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"… é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante." 

Nietzsche, em Assim Falou Zaratustra

nós de sufocamento, nós em um tormento

um emaranhando de nós se forma em meu peito
nós como se meus órgãos estivessem amarrados - à você
nós dois juntos em uma confusão de sentimentos que não consigo manisfestar
nós sem eu… você.
é que todos os nós nos prendem e me sufocam. 

ácido.

Operários by Tarsila do Amaral

“A tempestade é destruidora. Os ventos suspendem aquilo que água não derruba. Os céus anunciam o fim do mundo. No redemoinho gigante agarram-se os últimos sentimentos que se debatem procurando ar. Olhando de longe a jovem menina de cabelos ruivos largada no sofá, ninguém podia imaginar, que por dentro o seu mundo. seus sonhos, seus ideais estavam sendo massacrados, estavam virando pó.”

-Elisa Bartlett. 

“nada que é triste é bonito. mas você se identifica. assume, põe placa, banca e etcetera. você aceita aquela tristeza. como sua. e soa bonito mesmo. mas não é. não há beleza na dor. mas gostamos de dizer. sempre digo por aí, sempre grito que isso de sentir e sofrer é particularmente e encantadoramente lindo, finito e outro adjetivo, se aparecer. faço isso. faço. tento te dar um abraço. um carinho. duas doses de afeto no lugar da tequila. mas não tem jeito, criança. sá ferida não é bonita. tentar esquecer é lembrar sem assumir. somos reféns de lembranças. é a maré. e ela vai te engolir sem beleza alguma se você deixar. se você quiser.”

-paris, 1992   

Dá-me, um sorriso ao domingo,
Para à segunda eu lembrar.
Bem sabes: sempre te sigo
E não é preciso andar.

Quando agora me sorriste 
Foi de contente de eu vir, 
Ou porque me achaste triste, 
Ou já estavas a sorrir?

Não sei que flores te dar 
Para os dias da semana. 
Tens tanta sombra no olhar 
Que o teu olhar sempre engana.

Fernando Pessoa.

“É agudo o que sinto. É fino e impiedoso, como a ponta de uma agulha. É desconhecido, agoniante, independente de ações opostas. É tortuoso e me come como um animal selvagem. O que sinto devora minhas entranhas e rasga o meu peito. Faz-me parecer inestética e corrói minha sanidade. Leva-me a teu colo. Tu expulsa-me aos remendos. E eu choro. O que sinto é tão sádico.”

-Anthonieta Gierli 

são todos uns terroristas
na alma carregam o pavio
da gramática barata e ordinária
da rotina, da repetição

professores malditos!

que se explodam todos eles
e seus manuais repetidos
regras, regras e mais regras
hipócritas de plantão

e onde está a poesia?

está na alma de toda a gente
que mata um boi por dia
pra amar sem despedida
tomar café e falar bobagem
Chico Buarque que o diga
é gente que vive e transpira
faz do dia a dia a poesia
mais bela que se pode ler

então me esqueçam seus cretinos!

eu tenho a sina mais bonita
sou poeta do bar de esquina
meu destino já foi selado,
que gozem sobre meus versos
se masturbem amordaçados
delirem e se matem da ponte
sobre as flores que aplaudem
a vida tão bonita de se ler

nessa primavera quero plantar
a flor mais bela que existe
flor que nasce da terra e voa
se espalha feito felicidade
decola o espirito
expõe a alma
floresce e refloresce num jardim de pétalas sentimentais

onde os idiotas morrem e eu vivo a ressuscitar
onde o amor me entregou essa sina
que me faz sentir viva mesmo de partida
em pé sobre uma pilha de críticas literárias banais.

-Elisa Bartlett em "Revolução Poética em um Outubro Primaveril".